Chelsea gastou mais de R$ 1 bilhão para demitir técnicos — e Mourinho é o mais caro
O Chelsea demitiu Liam Rosenior em 22 de abril de 2026, 107 dias depois de contratá-lo com um contrato até 2032. Não foi surpresa. Foi mais um capítulo de uma história que o clube inglês repete há décadas: contratar, demitir e pagar caro para se livrar de treinadores.
Desde 1992, o Chelsea acumulou mais de £161,6 milhões — cerca de R$ 1,26 bilhão — em indenizações e taxas de contratação de técnicos demitidos. É o maior gasto entre todos os clubes da Premier League, segundo levantamento do FootballBlog.co.uk publicado pelo GiveMeSport em abril de 2026.
O número não é só grande. É um retrato de gestão.
Mourinho lidera o ranking individual
José Mourinho é o técnico que mais custou ao Chelsea em indenizações. Em duas passagens pelo clube, o português recebeu um total de £31,4 milhões — mais de R$ 244 milhões na cotação atual.
Na primeira demissão, em 2007, Mourinho e sua comissão técnica receberam £23,1 milhões. Na segunda, em dezembro de 2015, após uma temporada desastrosa que terminou com o Chelsea em 16º lugar, o valor foi de £8,3 milhões.
Para efeito de comparação: o Manchester City gastou £24,25 milhões no total para demitir nove técnicos desde 1992. Mourinho sozinho custou mais ao Chelsea do que todos os técnicos demitidos pelo City juntos.
O ranking completo das maiores indenizações do Chelsea
Os números abaixo incluem indenizações pagas ao técnico e à comissão técnica, além de taxas de liberação pagas a outros clubes quando aplicável:
1. Antonio Conte — £26 milhões (R$ 202,8 mi) — 2018
Ainda é o maior pagamento individual da história do clube. Conte foi demitido após desentendimentos com a diretoria, mesmo tendo conquistado o título da Premier League em 2017.
2. José Mourinho (1ª demissão) — £23,1 milhões (R$ 180,2 mi) — 2007
Saída após três títulos da Premier League e uma FA Cup. A relação com Roman Abramovich chegou ao limite.
3. Thomas Tuchel — £13 milhões (R$ 101,4 mi) — 2022
Demitido no início da temporada 2022-23, meses depois de ter conquistado a Champions League pelo clube.
4. Graham Potter — £13 milhões (R$ 101,4 mi) — 2023
O Chelsea pagou £21 milhões ao Brighton para contratá-lo e mais £13 milhões para demiti-lo sete meses depois.
5. Mauricio Pochettino — £10 milhões (R$ 78 mi) — 2024
Saiu por “acordo mútuo” após uma temporada irregular, mesmo com o Chelsea terminando em 6º lugar.
6. José Mourinho (2ª demissão) — £8,3 milhões (R$ 64,7 mi) — 2015
Segunda passagem terminou com o clube em zona de rebaixamento e o vestiário em crise.
7. Liam Rosenior — £11 milhões + £2,5 mi ao Strasbourg (R$ 109,2 mi no total) — 2026
Contratado em janeiro de 2026 para substituir Enzo Maresca, demitido em abril após cinco derrotas consecutivas na Premier League sem marcar um gol. Uma cláusula de rescisão inserida no contrato reduziu a indenização de um potencial £24 milhões para cerca de £11 milhões.
Cinco técnicos em quatro anos: o padrão BlueCo
Desde que o consórcio liderado por Todd Boehly assumiu o Chelsea em maio de 2022, o clube teve cinco técnicos permanentes: Thomas Tuchel, Graham Potter, Frank Lampard (interino), Mauricio Pochettino, Enzo Maresca e Liam Rosenior.
Nenhum durou uma temporada completa sob a gestão atual — com exceção de Maresca, que completou a temporada 2024-25 antes de ser substituído em janeiro de 2026.
O padrão é claro: o Chelsea contrata técnicos com contratos longos, demite antes do prazo e paga caro para encerrar o vínculo. A cláusula de rescisão inserida no contrato de Rosenior — que reduziu a indenização de £24 milhões para £11 milhões — sugere que o clube aprendeu a se proteger financeiramente. Mas não aprendeu a manter um técnico.
O que os números revelam sobre o Chelsea
O Chelsea não é o único clube que demite técnicos. Manchester United gastou £62 milhões em seis demissões desde 1992. Tottenham, £66,5 milhões em 14 demissões.
Mas o Chelsea gastou £161,6 milhões em 18 demissões — uma média de £8,98 milhões por saída. É quase o dobro da média do United (£10,34 milhões por demissão, mas em menos casos) e mais de três vezes a média do City (£2,69 milhões).
O problema não é só o dinheiro. É o que o dinheiro revela: um clube que não tem paciência para construir um projeto técnico. Que troca de treinador como resposta imediata a resultados ruins. Que assina contratos longos e os rompe em meses.
Enquanto o Chelsea acumula R$ 1 bilhão em indenizações, o Manchester City construiu uma era com Pep Guardiola. O Liverpool fez o mesmo com Jürgen Klopp. A diferença não está no orçamento. Está na decisão de dar tempo.
FAQ
Quanto o Chelsea gastou com técnicos demitidos?
Desde 1992, o Chelsea acumulou mais de £161,6 milhões (cerca de R$ 1,26 bilhão) em indenizações e taxas de contratação de técnicos demitidos, segundo levantamento do FootballBlog.co.uk.
Qual técnico recebeu mais do Chelsea ao ser demitido?
Antonio Conte recebeu £26 milhões em 2018 — a maior indenização individual da história do clube. José Mourinho, em duas demissões, recebeu um total de £31,4 milhões do Chelsea.
Quanto o Chelsea pagou para demitir Liam Rosenior?
O Chelsea pagou £2,5 milhões ao Strasbourg para contratar Rosenior e deve pagar cerca de £11 milhões de indenização ao técnico — total de aproximadamente £14 milhões (R$ 109 milhões) pelo ciclo completo.
Por que o Chelsea demitiu Rosenior?
Rosenior foi demitido após cinco derrotas consecutivas na Premier League sem marcar um gol, com o clube em 8º lugar e eliminado da Champions League pelo PSG nas oitavas de final.
Quem é o técnico do Chelsea agora?
Após a demissão de Rosenior, Calum McFarlane assumiu como técnico interino. O clube não deve anunciar um técnico permanente antes do fim da temporada 2025-26.
